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Crónica: Debita Nostra CXXV

Luís Costa - 14/11/2019 - 9:23


“Não só as taxas (2007-2017) foram mais altas para os jovens migrantes de fora da UE, como o desemprego para esta subpopulação cresceu mais rapidamente entre 2007 e 2013 (mais 15,8%) do que para os jovens migrantes de outros estados membros (9,4%) e os jovens nativos (6,5%). Em 2017, as taxas de desemprego para os jovens nativos e os nascidos noutros estados membros quase que retornaram aos níveis pré-crise (…), enquanto que para os jovens migrantes do exterior da UE a taxa de desemprego em 2017 era ainda 5,2% mais alta do que em 2007.” Eurostat – Statistics Explained, 2019. Uma das vertentes que espelha bem as substanciais transformações por que passa o mundo do trabalho é a da atual emigração, com o que nela cabe aos jovens “millennials”. 
É certo que continua a fazer parte de um processo de centralização, em que, à semelhança do que nos acontece internamente, se decapitam as zonas periféricas, privando-as de muitos dos seus melhores, vedando-lhes o natural decurso demográfico, recalcando-as numa relação de dependência.
E ainda de um outro mais discreto mecanismo de transferências, interno à Zona euro, que deixa para as periferias os encargos de uma prestimosa formação (que pode até ser paga no exterior) e de que o centro aproveita. Tanto mais, quanto agraciado com uma leva de contribuintes até aí apenas beneficiários dos originais sistemas de segurança social (DEBITA NOSTRA CIII).
Mas um processo que o dota também de uma preciosa natalidade, distinta na sua particular capacidade de apetrechamento cultural e linguístico, e, à semelhança dos respetivos progenitores, facilmente integrável.
Estes chegaram despedidos de um mercado de trabalho que, em contramão da geração que os precedeu, os precarizou. Vêm ao cumprimento de múltiplas tarefas, em geral especializadas e tecnologicamente exigentes (na sua crescente procura), deixando para outros mais periféricos os desempenhos subalternos.
E, se dividem com muitos dos que ficaram uma intransigente autonomia, uma flexível mobilidade e uma elaborada preparação, aplicam-nas em enriquecidos currículos, preenchidos de inovadoras experiências e inexcedíveis intercâmbios.
Mas não só. Participam com a generalidade dos “millennials” que vieram encontrar, de uma fecunda sociabilidade que lhes não rompe a saudade do(s) que deixaram, mas a relativiza num saciante caldo de trocas sociais e culturais. E de uma entrançada trajetória que lhes não incompatibiliza a pertença identitária, que a distância aformoseou, com o menos snobe internacionalismo de quem, de facto, perspetiva o mundo a uma mais larga escala.
Uma escala que lhes incute a noção de partilha da “casa comum” que é preciso preservar, por um multifacetado “nós”, pelo “outro” ali-tão-perto e pelos “todos” que aí vêm, com a mais sentida consciência de que lhes não restam alternativas.
Numa lide que conjuga bem o peso do concreto com a volátil utopia, como convém a qualquer irretornável movimento de mudança.
Luís Costa

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