Numa sociedade cada vez mais marcada pela velocidade e pela fragmentação, o sociólogo Robert Putnam recorda-nos que não são apenas as instituições do Estado que sustentam a vida coletiva. O que mantém uma comunidade viva é o capital social: a confiança, a cooperação e a disponibilidade para agir pelos outros sem esperar recompensa. É neste terreno que o voluntariado se afirma como uma das expressões mais concretas desse capital.
Em Castelo Branco, a Associação Amato Lusitano tem vindo a demonstrar como este capital se transforma em impacto real. Para além dos projetos desenvolvidos em áreas que exigem técnicos especializados — apoio à vítima de violência doméstica, integração de migrantes, envelhecimento ativo ou empreendedorismo social — desenvolve um conjunto vasto de iniciativas sustentadas por voluntários que, diariamente, ajudam a construir comunidade.
Atualmente, são cerca de 70 voluntários ativos, além de muitos colaboradores pontuais. Recebem formação, supervisão e acompanhamento, e o seu trabalho é reconhecido através do cartão de voluntário, cada vez mais valorizado pelas entidades empregadoras. A parceria com o curso de Serviço Social da ESE IPCB reforça a ligação entre academia e território, criando uma rede de proximidade que beneficia toda a comunidade.
Projetos que aproximam pessoas:
Um dos exemplos mais emblemáticos é o projeto “Na estrada com Histórias”. Uma carrinha adaptada percorre 22 freguesias, funcionando como biblioteca móvel e espaço de encontro. Leva livros, memórias, exercícios cognitivos e momentos de socialização às populações mais afastadas, combatendo o isolamento social e promovendo hábitos de leitura.
No Programa Escolhas, cerca de 40 crianças e jovens migrantes e refugiados, dos 6 aos 25 anos, recebem apoio ao estudo, aulas de Português e acompanhamento na integração social. Os voluntários trabalham tanto o contexto de origem como o novo contexto de vida, promovendo sucesso escolar, redução do absentismo e qualificação profissional.
O projeto ATL nas Freguesias dinamiza atividades semanais sobre cidadania, economia sustentável e convivência intergeracional. Nos lares, são criados os “Álbuns de Vivências”, recolhas de memórias e tradições locais contadas na primeira pessoa. No mês de julho, 56 crianças e jovens e 16 voluntários participaram em oficinas de saúde, desporto, cultura e cidadania, em Freixial do Campo, Almaceda, Póvoa de Rio de Moinhos e Ninho do Açor percorrendo-se mais de 1.000 km para levar atividades às comunidades mais jovens.
O Voluntariado na Floresta envolve 25 jovens migrantes em ações de limpeza e manutenção da floresta, promovendo sustentabilidade e integração. A associação participa ainda nas Campanhas do Banco Alimentar e dinamiza iniciativas de economia social, como a “Feira + Social”, que promove o associativismo e o empreendedorismo local.
Os desafios/constrangimentos são conhecidos: escassez de recursos humanos e financeiros, abrangência territorial elevada e necessidade de retenção de voluntários. Ainda assim, a ideia central permanece firme: criar laços. Em todos os projetos, voluntários e utentes constroem relações onde todos dão e todos recebem. É assim que se faz comunidade — fazendo a diferença todos os dias.
Um desafio final: Tens tempo livre? Gostas de ajudar? Vem à Associação Amato Lusitano. A tua presença pode transformar vidas — e, inevitavelmente, transformar também a tua.
Como nos lembra Helen Keller a conhecida ativista social americana, que lutou pelos direitos das pessoas com deficiência, sufrágio feminino, justiça social e pacifismo, “Sozinhos podemos fazer tão pouco; juntos podemos fazer tanto.”