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Debita Nostra XCV

Luís Costa - 06/09/2018 - 9:12


… “algumas noções sobre organização com elevado nível de desempenho começaram a surgir no debate sobre políticas de emprego, em parte como antídoto contra ideias simplistas acerca das expectativas existentes sobre a desregulamentação do mercado de trabalho e da preocupação em ‘aliviar os gestores’ retirando pressão sobre a sua prerrogativa de gerirem”  (Lindley, Robert, 2000, in R. Boyer et al., Para uma Europa da Inovação e do conhecimento…, pp. 50).
Na sua acareação com a democracia, há uma outra questão a colocar ao liberalismo que não a da histórica e literal guarda de “esqueletos no armário” (DEBITA NOSTRA XLIV a XLVIII). Acantonada que está a crença em más experiências que se lhe contrapunham, e tanto lhe aproveitam, sem real concorrência e após quarenta anos na ribalta, a quem se deve a inspiração da atual (des)ordem internacional?!
Por que razão, pregoeiro das virtudes da competição, fomenta o efeito de eucalipto, quando se trata de tolerar escolhas e do não irrisório esconjuro do pensamento único, subvertendo a praxis democrática?! Não, certamente, porque a realidade não obedeça mais à contingência de gerar alternativas, mas porque da ausência delas se quis fazer realidade!
É que, a tanta propensão para a unicidade, nem mesmo escapa o argumento de se ter desvirtuado o espírito do liberalismo clássico (DEBITA NOSTRA XCIV), ou o de que a sua aplicação não tem sido coerente e exaustiva.
Assim, por exemplo, na apreciação das debilidades dos países (economias) europeus e de como neles se manifestam preocupantes expressões de populismo e “democracias iliberais”. Aqui, é frequente assumir que se trata de um reflexo defensivo de quem simplesmente não conseguiu surfar a onda da universal competitividade.
Que se retorça a nossa democracia; que a competição se faça em desfavor da democracia de outros povos; que, mais que promover, ela hoje aspire a nivelar por baixo; que o faça no contexto de uma inaudita concentração do rendimento; que esta ocorra em “benefício do infrator” financeiro; que os povos exorcizem a consequente austeridade, não interessa. Especialização competitiva há só uma, ou esta, ou mais nenhuma. 
Talvez se torne então liberalmente oportuno lembrar outras perspetivas, como a de Boyer, Castells, Esping-Andersen, Soete, Rodrigues e Lindley em que este concluía não estarem provados os benefícios da desregulamentação das normas europeias (pp. 74), em termos de proteção social (pp. 40-41) e enquadramento do trabalho, então protagonizada pelas ‘reformas estruturais’ de Gerhard Schröder (Agenda 2010).
E se estas laboravam no imediato, atraídas pelo “milagre do emprego” norte-americano, deixavam em aberto a questão de fundo, cujo preço agora importa pagar, nem que seja como tributo ao populismo. 
É que cada vez mais se associam (DEBITA NOSTRA LXXIX) quer à insegurança, desconforto e ‘encortiçamento’ (Entsolidarisierung) da classe média (Heitmeyer, 2002-2011), quer à ‘normalização’ alemã (Leitkultur) que o tem fomentado (Machtans, 2015). 

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