Os Deputados do Partido Socialista estiveram no Distrito de Castelo Branco para a realização das jornadas parlamentares. O acontecimento foi notícia regional e nacional, mas o que ficou por contar foi a impressão que a região gravou na mente dos parlamentares.
O conhecimento de uma região, a proximidade aos temas que lhe são mais próximos, as preocupações de empresários, autarcas e naturais com quem tiveram oportunidade de se cruzar são uma base importante para o seu trabalho e para a compreensão das questões que lhes são colocadas para resolver ou votar.
Ver que a distância entre duas sedes de concelho é de cinquenta quilómetros, mas demora uma hora a percorrer em estradas acidentadas e cheias de curvas; perceber a dimensão de um território extenso, mas pouco povoado; saber da angústia que se vive quando se aproxima o tempo quente por causa dos incêndios que destroem património, trabalho e vidas humanas é uma perspetiva que só se tem em presença física. Mas também é importante perceber o quanto foi feito, e o esforço que é exigido, para manter o investimento económico, as respostas sociais, a oferta artística e cultural, o ensino de qualidade de todos os níveis, a proteção do ambiente ou a agricultura que nos alimenta a todos.
Dos tempos em que a Urbe nos chamava província até aos nossos dias a região mudou muito.
A minha geração é talvez a última que se lembra de viver sem luz elétrica ou de não ter água na torneira. De desenhar o «descanso» e o campo do «mata» na rua ao lado de casa que era em terra batida. Das ruas cheias de crianças, mas onde faltavam os pais que estavam emigrados em países onde os salários eram melhores (mas as condições de vida deles não).
Não vivi em Ditadura, mas nasci ainda a tempo de saber o que era o País vindo desse regime. Não bastou decretar a liberdade e melhores condições de vida para todos para que eles se concretizassem. Não chegou pensar o quanto seria bom para os portugueses a existência de um sistema nacional de saúde livre e gratuito, para que ele fosse uma realidade.
Porque mudar um País, uma região, uma cidade implica tempo, visão de médio e longo prazo, planeamento e capacidade de execução.
O que aconteceu em Portugal, e que começou nas décadas de 70 e 80 foi a existência de vontade e capacidade de autarcas, governos e executores no terreno que se dispuseram a pensar e a trabalhar para mudar o País. Cometeram-se erros e aconteceram excessos, mas os ganhos foram indubitavelmente maiores e extensíveis a todos.
Na base desta mudança esteve a preocupação com políticas e intervenções do pós-25 de Abril, mas também os Fundos de Coesão transferidos pela União Europeia, que o País começou a receber nos anos noventa. Escolas, hospitais, estradas de alcatrão ou digitais, formação, educação. Por todas as áreas da vida dos portugueses passam fundos europeus.
Hoje o País não é o mesmo de há 50 anos, mas a aposta dos últimos anos em concentrar os esforços numa economia de aglomeração está a matar o pólo onde tudo acontece e para onde se canaliza quase tudo, enquanto está a empobrecer o resto do País.
Elisa Ferreira, Comissária Europeia, afirmava esta ideia aos deputados e convidados presentes num dos painéis de debate das jornadas. Disse que «persistem regiões pobres na União Europeia, apesar do investimento de décadas e do crescimento de outras regiões. Pôr os territórios a contribuir com o seu máximo é um ato de inteligência.». Acrescentou ainda em jeito de conclusão «Sobre a estratégia existente (de aglomeração) já lhe encontrei defeitos, mas ainda não lhe encontrei virtudes».
O esforço que se nos pede neste tempo, que é de viragem, é que sejamos solidários com os países que a leste irão integrar a União Europeia e que esta seja capaz de olhar para o todo e para o particular.
Ao Distrito exige-se que continue a fazer o que faz bem, a melhorar e a corrigir o que está menos bem, a executar, a decidir e a exigir o que nos falta. Só assim sobreviveremos, sem apelos de piedade, mas com a cabeça levantada de quem sabe dos seus direitos e do seu valor.