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Medo não é respeito

Paula Custódio Reis - 05/12/2019 - 9:19

Na passada semana teve lugar o «Dia da Erradicação da Violência Doméstica». Digo teve lugar, em vez de falar em comemorações porque acredito que há datas que não se comemoram: sinalizam-se.
A violência doméstica foi considerada crime publico a partir de Maio de 2000, data a partir da qual passou a ser assunto onde todos devemos meter a colher. As situações são-nos próximas, quer ao nível daqueles com quem trabalhamos, quer daqueles a quem nos ligam relações de parentesco ou amizade. É só estar atento e ouvir.
Expressões como «nunca me bateu», «é só ciúme», «não sou dona(o) do meu dinheiro», «não posso…» são algumas de entre os muitos sinais de que essa pessoa está a ser coagida por alguém. Coagida de tal forma que nem sequer critica a autoridade que lhe é imposta.
O condicionamento que é exercido sobre as vítimas é de tal forma eficaz ao nível mental que as vítimas chegam a questionar a sua parte de responsabilidade. Muitas, até acham que não são vítimas porque não há violência física.
Porque é que as vítimas reagem assim, ou melhor, porque é que não agem?
Por dependência financeira ou emocional, por medo, por vergonha.
O melhor que podemos fazer? Não julgar. Apenas oferecer ajuda. Tentar explicar as várias formas de exercício de violência e apontar caminhos.
Esta é uma matéria que tem andado com passos firmes, mas penosos dada a delicadeza que as relações de proximidade e/ou familiares sempre aportam a estes assuntos.
Só agora a Justiça Portuguesa está a discutir a possibilidade de o Juiz de Instrução decidir ao mesmo tempo sobre as medidas de coação a aplicar ao agressor, e as medidas provisórias a aplicar relativamente às crianças do agregado.
É verdade que a adaptação das Leis não se faz de forma rápida. Mas também é verdade que a sociedade civil pode agir aqui, no sentido de pressionar para que se cumpra o espírito da Lei que mais não é do que aquilo que se chama «Bom Senso».
Quando a aplicação da Lei tarda, só os cidadãos podem ajudar.
E ajudar pode ser tão simples como fazer entender que o medo não é respeito. 
O respeito não se impõe.

 

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