Um território constrói-se por pessoas e para as pessoas! O bem-estar, a justiça social e o progresso sustentável exigem um trabalho contínuo, permanente e de visão estratégica. É preciso conhecer perfeitamente qual, ou quais, são as metas que pretendemos atingir de modo a que seja possível desenvolver uma estratégia articulada, com os diversos atores locais, regionais, nacionais ou internacionais, que permita a sua concretização parcial ou por inteiro. E, no final, é preciso prestar contas àqueles que confiaram em nós.
A construção de um caminho depende, em grande medida, da capacidade de propor iniciativas, construir os caminhos necessários e a concretização e/ou materialização das propostas. A este propósito, o concelho de Castelo Branco tem, a meu ver, de ser capaz de apostar estrategicamente na criatividade enquanto área económica de futuro favorecendo a emergência de um ecossistema criativo, dinâmico e que valorize e qualifique a cultura, as artes, os ofícios ou, por exemplo, o movimento associativo.
Na verdade, ao longo das últimas décadas Castelo Branco teve a capacidade de construir muitos equipamentos culturais e de realizar atividades extraordinárias que permitiram destacar o concelho no contexto nacional e internacional no domínio das artes.
A criação e instalação, em boa hora, do Museu dedicado à vida e obra de Manuel Cargaleiro, a edificação do Centro de Cultura Contemporânea, a reabilitação do edifício do Cineteatro Avenida, a adaptação de uma velha unidade fabril que se tornou numa incubadora de industrias culturais e criativas, como é o caso da Fábrica da Criatividade, ou ainda o Centro de Interpretação do Bordado de Castelo Branco, o Museu dos Têxteis, o Centro de Interpretação do Jardim do Paço, a Casa da Presença da Memória Judaica e a Alma Mater cultural de Castelo Branco, o Museu Francisco Tavares Proença Júnior, num trabalho destacado da Sociedade dos Amigos do Museu, constituem âncoras culturais que podem permitir a valorização concreta do nosso território.
A cultura, a arte, o património, o saber-fazer, o conhecimento científico especializado nas artes (de que é exemplo a ESART – IPCB), as pessoas constituem os nossos maiores ativos territoriais. Mas tudo isto já foi dito, escrito, referido dezenas ou centenas de vezes.
Afinal, se já temos os equipamentos culturais e sabemos qual é o caminho a seguir, o que nos falta fazer enquanto comunidade?
Não é uma resposta fácil. Contudo, creio que um território só pode ultrapassar as suas dificuldades estruturais se for capaz de colocar os atores a dialogar. O diálogo e a cooperação constituem instrumentos fundamentais à construção de políticas públicas e estratégias de desenvolvimento sustentáveis direcionadas ao futuro coletivo no interior de um território.
problemas dos territórios não se resolvem com monólogos, as estratégias não se constroem no isolamento. Antes pelo contrário, é do confronto de ideias, de posições e de interpelações que resultam novas problemáticas, novas dimensões de análise e, consequentemente, novas soluções, muitas vezes, para velhos problemas. Não existe desenvolvimento se não existir diálogo e capacidade de escuta. Outra dimensão fundamental ao desenvolvimento do território.
Um território onde as instituições são capazes de dialogar, cooperar e inovar é, estou certo, um território com futuro!