Avelino Ferreira faleceu a 7 de outubro de 2017 a combater um incêndio florestal na zona de Oleiros. Ficou debaixo de uma máquina de rastos que manobrava numa luta desigual contra um autêntico inferno de chamas. O Estado nunca indemnizou a respetiva família que, de então para cá, continua à espera que se faça justiça ao seu ente querido.
As justificações têm sido as mais variadas para que tal não tenha sucedido, desde a famosa esquiva «tal não é legalmente possível (…)», até ao mais vil «não se encontra abrangido pelas medidas adotadas (..)». Vale de tudo para o Estado fugir com o rabo à seringa, na hora de fazer justiça e de reconhecer a abnegação com que o falecido cidadão lutou e entregou a própria vida a defender a floresta.
Pelo caminho, imagine-se!, há até uma recomendação do Parlamento ao Governo em 2019 para que a família do malogrado senhor Ferreira seja indemnizada. Nada. Até hoje, nada.
É triste? É. É o país que temos? É. Depois venham dizer que o populismo e os radicalismos estão a crescer. Continuem a assobiar para o lado e lembrem-se das pessoas só quando precisam dos votos e vão ver não só o país, como a própria Democracia a arder.
Em tempo de eleições, a questão voltou a ser colocada à tutela por quem de direito e que nunca desistiu de o fazer. Será desta?
Seria bom que fosse. Era justo.