Não será certamente por acaso que lhe chamam o precioso líquido. Trata-se de um bem essencial à Humanidade e que importa preservar e até defender.
As alterações climáticas estão aí, só não vê quem não quer, com longos períodos de secas que se intervalam com fenómenos mais extremos, por vezes até de enormes tempestades e chuvas intensas, pelo que a sua gestão implica cuidados redobrados para que a utilização futura seja no mínimo sustentável.
O consumo humano, as regas agrícolas e até de espaços públicos têm, por isso, de ser planeadas e monitorizadas com rigor. Se por um lado o combate ao desperdício no seio das redes de abastecimento tem merecido investimentos por parte dos municípios, já no que respeita aos regadios parece não haver entendimento.
Vem isto a propósito do projeto que a partir da barragem de Santa Águeda está previsto efetuar e que tem sido «atrasado» precisamente por essa falta de acerto entre as diferentes posições sobre o mesmo (ver página 6 desta edição do Reconquista).
O reforço de Santa Águeda a partir da almejada e prometida barragem do Barbaído não tem saído do papel e o assunto tem tudo para se arrastar, tal como a também prometida auscultação aos albicastrenses.
São legítimas as pretensões dos defensores do regadio, mas também são as daqueles que lhe colocam sérias interrogações e travão. O assunto merecia uma discussão pública séria. A um ano de eleições autárquicas não me parece que tal possa suceder, sem descambar para o indesejável populismo eleitoral.
A este propósito, lembro que o Papa Francisco teve oportunidade de chamar a atenção por ocasião do Dia Mundial da Água em 2023 para o assunto e até de efetuar um apelo para que “a água não possa ser objeto de desperdício ou abuso ou motivo de guerra, mas deva ser preservada para nosso benefício e para as gerações futuras”.