Este site utiliza cookies. Ao continuar a navegar no nosso website está a consentir a utilização de cookies. Saiba mais

Editorial: A mudança tem de ser efetiva

Lídia Barata - 29/08/2024 - 12:12

Na primeira encíclica do Papa, “A Alegria do Evangelho” (2013), Francisco destaca o valor do tempo, explicando que os fiéis devem “trabalhar pensando no longo prazo, sem obsessão por resultados imediatos”. E ao longo deste seu pontificado, tem afirmado muitas vezes o seu desejo de mudança, defendendo uma Igreja “em saída para as periferias sociais e existenciais”.

Mas com a mesma convicção, também acredita que a mudança não será efetiva se “a atual forma de poder eclesiástico” se mantiver.

Palavras do Papa Francisco que ressoaram na homilia do bispo D. Antonino Dias, na solenidade de abertura do Jubileu da Catedral de Portalegre, que assinalou os 475 anos da fundação da Diocese, sobretudo no que diz respeito à urgência da mudança.

“A mudança está sempre em curso e é no meio dela que temos de saber viver, que temos de saber ler os sinais dos tempos e que temos de evangelizar”, sublinhou o prelado, defendendo que quem se sente povo de Deus tem de encarar estes desafios, praticando a sua fé de modo genuíno e não por rotina.

D. Antonino também referiu que “o ruído não faz bem”, mas “tudo o que vem de dentro, do coração, não faz ruído”.

Quem no seu dia-a-dia segue estes cânones e tenta, cada um na sua área, fazer o melhor que pode e sabe, não de forma egoísta, mas pensando num bem maior, no bem comum, está mais que habituado a este “silêncio” que vem de dentro. Está muitas vezes consciente da mudança necessária e pronto a participar nela, mesmo que seja dos últimos a entrar na corrida, como os últimos trabalhadores contratados para a vinha do Senhor. Mas tal como esses, arriscam-se a esbarrar no “ruído” egoísta dos que se limitam a repetir preceitos, mesmo que apregoem a mudança.

Francisco desfiou a “todos, todos, todos” a enfrentar os novos desafios que abrem a Igreja a “todos”, mesmo aos que andam perdidos nas “periferias”, convite reiterado pelo bispo diocesano.

Desafio e convite que, para se tornarem efetivos, têm de facto de ser assumidos por “todos, todos, todos” e no imediato, mesmo que os seus efeitos tardem.

Mal será do agricultor que espera uma boa colheita, sem nada ter semeado!

COMENTÁRIOS