Os diferentes países de língua oficial portuguesa em África têm estado a comemorar meio século de independência face à ocupação portuguesa. Para além das festas nas ruas e das sessões protocolares de pompa e circunstância que marcam as agendas políticas, onde Portugal tem estado representado ao mais alto nível, importa registar a urbanidade e a forma pacífica como as mesmas têm decorrido.
São povos que não têm tido vida fácil, antes e depois das independências. Se primeiro viviam debaixo do poder de um país estrangeiro, a libertação desse jugo sujeitou-os mais tarde, maioritariamente, a lutas internas e guerras civis entre diferentes fações políticas que depauperaram ainda mais as condições de vida das respetivas populações.
São vidas maceradas por constantes dificuldades, falta de infraestruturas, de trabalho e débeis condições ao nível de setores tão fundamentais a uma sociedade como a educação, a saúde e a justiça, por exemplo.
Saúda-se, contudo, a existência de uma geração que já nasceu e cresceu em liberdade e que hoje em dia reivindica a consolidação das democracias e as apostas num desenvolvimento que chegue a todos e que não sirva apenas as elites governamentais. Um caminho que tem muito ainda para andar e que não se fará sem o respetivo enquadramento de uma comunidade internacional, também ela, como sabemos, aflita por saber que rumo tomar face a uma conjuntura beligerante que teima em fazer tremer os pilares civilizacionais a que nos habituámos.
A riqueza interna que muitos desses países possuem ao nível das matérias-primas, agricultura, energia, etc. pode ser uma janela de esperança se os interesses desses povos não soçobrarem, mais uma vez, à cobiça que essas mesmas riquezas despertam ao ponto de a corrupção e a avareza continuarem a lavrar em terra fértil.