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Editorial: Alice

José Júlio Cruz - 08/10/2026 - 9:03

Cruzei-me tantas vezes com ela que passou a ser uma espécie de amiga ou prima afastada. Atravessava a rua para lhe dar dois beijinhos e tinha-a como uma albicastrense de gema até descobrir mais tarde que era do litoral alentejano (Santiago do Cacém). Bairrista no bom sentido da palavra, fazia da cidadania quase um modo de vida. Participava na vida pública como respirava, defendia a Liberdade e a crítica saudável, sem nunca perder de vista o bem comum. Era uma democrata.

Falo de Alice Jones, falecida esta semana. Nas reuniões públicas do executivo, fosse qual fosse o executivo, esta cidadã criticava de forma mordaz, mas assertiva, tudo aquilo que achasse que estava mal na cidade e no concelho ou que beliscasse os valores em que acreditava. E da sua Quinta das Pedras era uma defensora ferrenha. O bairro, a rua, a cidade eram a sua casa. E por isso atirava-se a todos os que não protegessem ou defendessem o que, afinal de contas, é de todos.

E, no entanto, era uma figura doce, simpática, sempre presente da vida cultural e política, praticamente querida e respeitada por todos.

Hoje em dia já há poucas pessoas assim. Vieram de um tempo em que valorizaram a Liberdade como um bem precioso e tinham da vida em comum um conceito de sociedade que se está a perder.

E perdemos todos com isso. Até sempre Alice.

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