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Editorial: Apagão

José Júlio Cruz - 02/05/2025 - 9:00

Serviu para tudo e mais alguma coisa a falha de energia elétrica que assolou durante praticamente meio-dia toda a Península Ibérica na passada segunda-feira:

- Para percebermos que não aprendemos nada com a pandemia do Covid em primeiro lugar. Voltámos a assaltar as caixas dos supermercados e as bombas de combustíveis como se não houvesse amanhã e a açambarcar o que precisávamos e, sobretudo, o que não precisávamos. Voltámos a ser grunhos.

- Para percebermos o quão expostos e indefesos estamos a um simples botão de um interruptor, ou a um telemóvel. As nossas vidas dependem disso. Ou talvez não. É preciso meditar.

- Para voltarmos a aprender (será que aprendemos?) a regressar ao essencial e a sermos solidários com os nossos, sejam eles familiares, amigos ou vizinhos. Viver em comunidade.

- Para percebermos (será que percebemos?) que a informação precisa e confiável é essencial às nossas vidas em sociedade, para não vivermos mergulhados em alarmismos desnecessários e à mercê de idiotas que se aproveitam destes momentos para lançarem o caos.

- E serviu também para desfrutarmos (será que desfrutámos?) de uma esplanada ao sol para comer um gelado ou tomar um par de cervejas com os amigos. Sempre se aproveita algo de útil à sanidade mental.

E voltou tudo à normalidade. Até ao próximo apagão.

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