De todas as desgraças que os incêndios florestais acarretam, a perda de vidas humanas é inquestionavelmente a maior. As incansáveis labaredas levam aquilo que de mais precioso existe. Fica órfão um país inteiro, incapaz de, ano após ano, mitigar ou aprender com outras desgraças antecedentes. E mais virão…
Mas, neste mar de chamas, arde também o jornalismo. A cedência indecente às audiências fáceis para servir um público ávido de sangue leva, tal como na transmissão da guerra em direto e nas intermináveis discussões futebolísticas, a que fiquem para trás as mais elementares regras da profissão. As da profissão e até as da educação. E outras…
Chega a ser arrepiante ver os meus colegas serem atirados literalmente para o inferno, obrigados apenas a satisfazerem os apetites da turba e os interesses maquiavélicos dos grupos económicos que lhes pagam o ordenado. Sem sermos capazes de contrariar a voz de comando, ardemos todos nesta fogueira. O mesmo se passa nos canais públicos, onde se esperava um pouco mais de decoro.
O jornalismo não é isto. A transmissão em direto de um incêndio, de uma guerra, de alguém a morrer ou de uma discussão de futebol durante horas e horas dias dias a fio é obscenidade.
Disto também se alimenta o populismo. Depois queixem-se!
Saudações