As eleições presidenciais em Moçambique voltaram a colocar a nu as fragilidades dos regimes democráticos africanos. São poucos os que resistem à corrupção e ao tráfico de influências e os países vão-se afundando entre os mais pobres do mundo, apesar das reconhecidas potencialidades económicas, agrícolas e outras dos diferentes territórios.
Como António Rodrigues escreveu, e bem, no jornal Público, o conflito moçambicano parece residir entre o «Presidente do palácio» e o «Presidente da rua», sem que o regime dito democrático consiga fazer prevalecer aquilo que de mais precioso tem, o voto de cada cidadão, para apurar verdadeiramente quem é o vencedor da contenda.
E aqui reside a questão de fundo: ou não consegue, ou não lhe interessa e, sinceramente, esta última parece ser a opção daqueles que se encontram no poder. Não lhes interessa, para que se possam perpetuar nos palácios.
A doença não é só africana. Se olharmos para a Venezuela e outros que nos habituámos a ver como democráticos, o filme é o mesmo. E cada vez há mais «democratas» destes, multiplicam-se como vírus. A Democracia só existe se ganharem as eleições e, ganhando-as, deixa de fazer sentido.
O mal torna-se o novo normal e, pior que isso, é transversal. Não há «direita» nem «esquerda» que lhe resista. É assim e pronto. O preço a pagar é sempre muito alto.
E o Povo?! Qual Povo?! Mas, alguém quer saber?!