Há cerca de um ano assumi o cargo de diretor do nosso Reconquista e logo no primeiro Editorial escrevi o seguinte: “Na espuma dos últimos resultados eleitorais escondem-se vários cenários. Sobretudo ao nível da sempre apetecível capital de distrito, onde, desde a chegada de Joaquim Morão, o PSD foi arredado do poder, tendo o povo confiado a gestão autárquica nas últimas décadas aos socialistas”. E acrescentei: “A recente entrada em cena do Sempre e do Chega baralhou as contas e soaram os alarmes. Sem fazer futurologia, não me parece nada difícil de antever que haverá certamente muitos e bons motivos de interesse para seguir, de forma noticiosa, daqui em diante. O tempo é mais de construir pontes do que muros, mas na política é sempre tudo muito imprevisível. Se não existirem alianças, o resultado das quatro principais forças políticas anuncia-se apertado”.
Ora, parece que foi ontem. E passou um ano. E voltou a haver eleições. O que se verificou de há um ano para cá foi a aliança entre o Sempre e o PSD (com o CDS a entrar também na coligação que tem como cabeça de lista José Augusto Alves) e esta semana a confirmação de que Leopoldo Rodrigues se recandidata pelo PS. Falta saber quem será o cabeça de lista do partido Chega.
Se parece lógico vir a existir um embate entre o incumbente Leopoldo e o desafiante Alves, não convém que se coloque de lado a possibilidade da ascensão da extrema-direita, o que pode muito bem vir a baralhar as contas aos dois. A Iniciativa Liberal com José Henriques aposta em ser a surpresa.
E os lugares no executivo albicastrense são só sete. Não é preciso ser matemático nem adivinho para antever os diversos cenários.