A morte de um bebé às portas de uma instituição de saúde é algo de profundamente catastrófico sob o ponto de vista do mundo em que vivemos e que estamos a construir.
Independentemente das causas, das culpas que posam vir a ser apuradas e das consequências que este caso venha a ter (a Justiça já iniciou investigações) é profundamente triste e lamentável imaginar sequer que tal possa suceder.
Mas, acontece. Desta vez aqui mesmo à nossa porta. A família quer o apuramento de responsabilidades. Todos deveríamos querer. Trata-se de uma vida humana, na sua condição mais frágil e praticamente indefesa. Um bebé.
O acesso aos cuidados de saúde está plasmado na Constituição da República como um direito fundamental. Todos sabemos também as depauperadas condições (muitas vezes sem meios humanos e técnicos disponíveis) com que se debatem as nossas instituições a quem cabe cuidar da saúde dos cidadãos. Tantas vezes com material obsoleto e profissionais cansados e sobrecarregados de trabalho. Não podemos escamotear também esse facto.
Num interior que, digam o que disserem, parece cada vez mais abandonado e longe dos centros de decisão, a vida das pessoas está também cada vez mais difícil também sob este ponto de vista, o do acesso aos cuidados de saúde.
Está profundamente doente um sistema que deixa morrer um bebé ou alguém a necessitar de ajuda à porta de um centro de saúde.