A calçada portuguesa é um dos símbolos da nação. Amigos estrangeiros ficam sempre muito curiosos quando nos visitam e se deparam com os passeios que ainda resistem, embelezados por esta técnica. Tiram fotos, fazem perguntas e questionam-se porque é que não há mais…
A pedra é resistente, muito mais que os calceteiros que vão desaparecendo como muitas outras profissões que fizeram história e a História deste país. A pedra fica. Nem que seja para turista ver.
As novas urbanizações e respetivos passeios já não gravam esta relíquia. É tudo mais moderno, mas menos valioso. É mais caro fazer à antiga e por isso abandona-se. É preciso pagar às pessoas, formá-las e isso custa tempo e dinheiro e, por isso, esquece-se. E, verdade seja dita, também não há quem queira ser calceteiro. Não é atrativa a profissão. São os tempos que correm. Não há tempo.
Acontece que, quando nada o fazia prever, um albicastrense residente em Inglaterra lidera um projeto por, precisamente, se propor calcetar à portuguesa um bocado de um passeio da cidade onde reside. Precisamente na «King Street» (a rua do Rei).
O mesmo jovem propõe-se replicar o projeto noutras cidades inglesas e até um pouco por toda a Europa. Inspirou-se nas suas raízes para criar futuro, longe da terra que o viu nascer.
Não é saudosismo, é empreendedorismo. Ou, como dizem os chineses e um amigo me costuma lembrar, “atrás do tempo, tempo vem”.