A velhice é um posto, ouvia-se dizer amiúde em contextos militares e outros. Era quase um ditado popular, uma forma de estar. Como bem sabemos, não é bem assim e isso constata-se facilmente no quotidiano.
Depois de vidas inteiras de trabalho e dedicação às famílias e aos outros, muitos idosos veem-se no final da vida abandonados, tantas e tantas vezes por aqueles a quem deram tudo. Os hospitais estão cheios das chamadas «camas sociais» (aqueles que não têm para onde ir) e que não podem ser depositados à porta. As redes de apoio estão aflitas e não têm mãos a medir e a esmagadora maioria dos lares está a rebentar pelas costuras, com filas de espera e problemas sem fim.
Paralelamente, o custo de vida não para de aumentar, as reformas de aposentação são as que são, o que faz com que a vulnerabilidade daqueles que ainda resistem em suas casas seja cada vez maior. Nunca houve tantas comunicações e redes chamadas sociais e nunca houve tanta solidão. Dá que pensar. Estaremos a comunicar? Ou apenas a consumir?...
Sabedoria, maturidade, tranquilidade e saber-fazer são, contudo, qualidades de quem envelhece. Qualidades e exemplos que deveriam estar a passar de geração em geração num mundo onde realmente fazem falta, muita falta mesmo, mas onde a gritaria constante de uns e a alarvidade de outros não deixa tempo para nada.
A culpa é sempre do outro. Mas somos todos culpados, não podemos assobiar para o lado. Todos poderíamos e deveríamos fazer mais alguma coisa. Para bem da sociedade em que vivemos era fundamental que déssemos realmente valor àquilo que tem valor, em detrimento da superficialidade das coisas com que muitas vezes nos entretemos, ou perdemos tempo.
E não há tempo a perder…