No início desta semana dez GNR e um PSP foram detidos por exploração de imigrantes e 11 bombeiros foram também detidos por crimes sexuais. Independentemente do que daqui em diante se vier a apurar em cada um destes casos e sem estar à partida a incriminar ninguém antes de tempo, só à Justiça cabe esse papel depois de apuradas todas as circunstâncias, há aqui algo de profundamente errado.
Então aqueles em quem confiamos a nossa segurança, de pessoas e bens, aqueles que esperamos nos socorram se algo correr mal, estão envolvidos de uma forma ou de outra neste tipo de casos!? O que se passa no seio das instituições?
É certo que as instituições são feitas de pessoas de carne e osso, com todas as fragilidades como as de quaisquer outras, mas recentemente não são casos únicos, o que faz com que o comum dos cidadãos se comece a interrogar sobre em quem confiar.
Exige-se à tutela que seja firme nos níveis de exigência em termos de formação. Formação essa que não pode ficar pela prática e pela técnica, mas que deverá ser reforçada em termos de ética e de valores. O que leva um ser humano a explorar outro já entra noutros domínios mais específicos que só os verdadeiros especialistas poderão analisar, caso a caso.
Num dos casos trata-se, mais uma vez, de exploração sobre os mais frágeis e pobres, migrantes em condições precárias que perdem o chão quando são as próprias autoridades a quem poderiam recorrer a exercer sobre eles atos inqualificáveis. No outro caso, ao que parece, tratou-se de uma praxe. Uma praxe? Meu Deus, em que raio de mundo é que vivemos?