A empresa Vasp que distribui jornais e revistas em Portugal acaba de abrir a porta à possibilidade de deixar de efetuar essa distribuição em oito distritos. Não é preciso dizer quais. Basta contar aqueles que de norte a sul compõem o que vulgarmente se conhece como o interior do país.
Na prática, tal decisão, a concretizar-se, fará com que os jornais de Lisboa e Porto deixem de chegar às bancas destes distritos, tal como um conjunto de revistas e outros produtos associados.
Do litoral do país não se cansam de gritar que o interior ficará sem jornais. Como de costume, esquecem-se dos que cá trabalham, como se nada cá existisse. Já estamos habituados. Mas, não é isso que agora e aqui importa expressar.
O que importa verdadeiramente confirmar é que de facto, pouco ou nada significamos para as grandes empresas, sejam elas a banca, os correios, a Vasp e outras. Empresas às quais juntamos também o próprio Estado, cujo sentido de coesão nacional há muito que deixou de fazer parte das preocupações, para apenas e só se alimentar, e alimentar, as grandes urbes do litoral.
A desertos como o da própria população, o da saúde, da educação, da energia, das acessibilidades e da economia, juntar-se-á pelos vistos em breve o das notícias da imprensa regional de Lisboa e Porto, em banca. A que muitos insistem em chamar de órgãos de comunicação social nacionais que, de facto, nunca o foram. Mas isso é outra conversa.
Este «fascínio» pelo deserto tem conduzido o país ao estado a que chegou. Desequilibrado e à mercê daqueles que nos querem também impor um deserto de ideias para que possam medrar as suas fantasias e realidades paralelas.