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Editorial: Deus é amor

José Júlio Cruz - 09/04/2026 - 9:02

Com o mundo em constante ebulição e com alguns irresponsáveis políticos a colocarem Deus no centro das suas atrocidades bélicas, tentando justificar o injustificável, o Papa Leão XIV teve necessidade de vir a terreiro colocar os pontos nos «is». “A Páscoa é uma vitória: da vida sobre a morte, da luz sobre as trevas, do amor sobre o ódio”, referiu na sua primeira mensagem pascal, destacando o carácter pacífico da mensagem cristã e elogiando quem “rejeita o instinto de vingança e, cheio de piedade, reza por quem o ofendeu”.

“A força com que Cristo ressuscitou é completamente não violenta. É semelhante à de um grão de trigo que, ao decompor-se na terra, cresce, abre passagem pelas leivas, germina e transforma-se numa espiga dourada”, acrescentou.

Pena é que a quem esta mensagem se dirige continue a fazer orelhas moucas e a seguir apenas a sua própria cartilha que de divino e humano nada tem.

Leão XIV condena também aquilo que considera ser a “idolatria do lucro” e, logicamente, a guerra. As suas palavras são bem claras quando alerta para “o perigo de a sociedade ceder ao desespero perante o constante poder da morte”. Só não entende quem não quer. Só se sente legitimado por Deus para fazer o mal quem de facto apenas e só pretende atingir os seus próprios objetivos e necessita de algo maior para o justificar. Quando esse algo maior precisamente o contradiz e condena.

Perante tantas “injustiças, maldades, indiferenças e crueldades”, o Papa declarou até que parece que “Deus não existe”, apelando à confiança nos “rebentos da ressurreição” que apresentou como “uma força sem igual”. “Que Cristo, nossa Páscoa, nos abençoe e conceda a sua paz ao mundo inteiro”, exortou.

Sábado há uma vigília de oração pela Paz no Vaticano. Não é pela guerra, é pela Paz.

Que fique claro. Porque Deus é amor.

 

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