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Editorial: Dinheiro

José Júlio Cruz - 12/12/2024 - 9:00

A ascensão de Trump fez disparar o valor do dinheiro digital para números impressionantes (Bitcoins e afins), todo um mundo novo que se percebia que vinha aí, mas que ainda deixa muita gente apreensiva.

O dinheiro digital e em cartão ganha cada vez mais espaço na economia, deixando para trás não apenas a forma como o conhecemos há séculos (a moeda), mas sobretudo as camadas mais idosas das populações que demoram a acompanhar as vertiginosas mudanças nesta área.

Hoje em dia já toda a gente anda com um cartão de débito e de crédito na carteira, mas a literacia financeira está longe de acompanhar este ritmo. E o que faz a banca? Fecha-se em copas, não investe nesta área e afasta os clientes dos balcões e até das caixas multibanco (basta ver o ritmo a que estas desaparecem das cidades e sobretudo do mundo rural).

É uma atitude consciente que deixa muita gente ainda mais isolada do que já está. Tentam-nos empurrar para as aplicações de telemóvel, quais panaceias da multiplicação dos seus pornográficos lucros.

E quando a coisa corre mal, como já aconteceu por várias vezes, lá vem o pobre e cada vez mais idoso contribuinte injetar milhões para «salvar o sistema». E ninguém vai preso.

Leio este texto do início e fico com a impressão de que estou a resvalar para o populismo. Não, não estou. Infelizmente é a mais pura e crua das realidades.

Há uns meses, de visita a uma das capitais europeias, andei com as notas no bolso durante uma semana. «No money, just card» anunciavam as montras. Nem valia a pena entrar sem cartão. Experimentei algumas vezes «just in case» e, confesso, por mera pirraça. Nada. «Just card».

Despejados para este mundo digital (leia-se impessoal) sem que consigam sequer ser ouvidos, como terão os nossos idosos hipóteses de viver assim?

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