A recente competição mundial de queijos que decorreu no nosso país voltou, justamente, a virar o foco da excelência para os produtos desta região à escala planetária. Foi o maior dos prémios arrecadados, mas, mais do que isso, a confirmação de uma série de outras marcas também elas merecedoras da confiança por parte dos consumidores internacionais.
Se «santos da casa não fazem milagres», neste caso o ditado não se aplica. O queijo desta zona do país (leia-se de Nisa até à Serra da Estrela) possui qualidades ímpares que, ano após ano, se vão afirmando na geografia mundial dos apreciadores.
Como bem sabemos, não é só o queijo a deter esses atributos. O azeite, os enchidos, o pão, o vinho e um conjunto de pratos diferenciados, onde o cabrito estonado, o borrego e o laburdo de Alcains são apenas bons exemplos, valem ouro. É ouro!
Estaremos à altura de os defender e potenciar? Os produtores sozinhos terão certamente maiores dificuldades neste espinhoso caminho da excelência. Chegar ao topo é uma coisa, manter-se lá é outra.
As confrarias vão tentando fazer o seu caminho nesse sentido e merecem, também elas, toda a atenção e carinho que lhes possa ser dispensado. A começar pela própria adesão e organização de confrades, o que nem sempre acontece. Algumas passam por dificuldades e provavelmente é hora de a região entender o filão que ficará por explorar se, eventualmente, deixarem de existir ou, existindo, se mantenham inertes ou amorfas no seu papel.
O queijo, por exemplo, nem confraria tem. Este tipo de organização por si só não é nenhuma panaceia para o setor. Mas, se calhar, fazia sentido.