Num país onde parece que às vezes nada corre bem, esta questão da trapalhada com os exames e a sua correção vem no mesmo sentido. As desculpas são as mais variadas e ficam todas muito longe do desejado. Afinal de contas, só mesmo para o Governo é que isto fará algum sentido.
É óbvio que a demissão do principal responsável pela pasta não resolve por si só o assunto e a assunção de culpas e de responsabilidades também há muito que desapareceu do nosso espectro político (creio de desde a queda da ponte de Entre-os-Rios). O que é lamentável que suceda, até pelo exemplo que se dá às novas gerações. Interessa mais continuar a fugir com o rabo à seringa do que enfrentar seriamente as questões de frente como homenzinhos que somos ou deveríamos ser. E não se trata apenas do por agora infeliz Fernando Alexandre, a lista é longa e perpassa vários governos. Podíamos estar aqui o resto do dia a dar exemplos.
Não me vem à memória uma frase batida, mas o último verso de um poema do Jorge Palma onde se lê «e a pena foi agravada por tudo se ter passado no lado errado da noite». Neste caso não se trata do lado errado da noite, nem a pena foi agravada, mas deveria por tudo se ter passado na Educação. Sim, na Educação senhores! Algo nunca visto não apenas neste país, como em mais alguns aqui à volta neste nosso mundo civilizado e dito evoluído, onde sorrir às vezes é a única coisa que nos sobra face aos desvarios a que somos sujeitos.
Estão em suspenso as vidas de quem já deveria estar a pensar noutros assuntos, com as carradas de stress que uma situação deste género acarreta a uma geração de jovens já de si nervosa e inquieta quanto ao seu futuro.
Como diria o saudoso Raúl Solnado, «que mais nos irá acontecer?».