Este site utiliza cookies. Ao continuar a navegar no nosso website está a consentir a utilização de cookies. Saiba mais

Editorial: Frio

José Júlio Cruz - 23/12/2025 - 9:03

«Ande o frio por onde andar, no Natal há de chegar» dizem os mais antigos passando de geração em geração o ditado popular. E assim foi outra vez este ano. E desta vez não foi apenas o frio, foi também um nevão que nos veio visitar e se estendeu pelas terras altas do país. Veio o frio lembrar os mais distraídos da quadra festiva que se atravessa, aguardando a tão desejada chegada do menino Jesus.

Acenderam-se as lareiras, aconchegaram-se os corações e prepara-se a celebração como cada um pode. A noite da consoada traz normalmente o bacalhau com todos e outros pratos característicos à mesa dos portugueses, consoante as regiões em que cada um reside. No território nacional e na diáspora é normalmente à mesa que as pessoas aguardam pela Missa do Galo e celebram em conjunto o Natal.

Com a chegada significativa de imigrantes ao país estas tradições misturam-se com as de outras paragens, entre aqueles que celebram o Natal. Enriquecem-se as comunidades com esta diversidade de formas de estar e de celebrar. Ensina-se, aprende-se, vive-se. Passa-se o testemunho, explica-se até a quem não celebra o significado da mesma.

Os mais novos de volta das prendas fervilham de ansiedade. Aos mais velhos brilham os olhos a ver ou a rever a prole que geraram e/ou ajudaram a criar. O tempo passa, mas as sementes deram frutos e esta é uma época do ano em que a palavra família agrega maior significado.

A mensagem que ao Natal está associada é forte, tem conteúdo e faz sentido, mas os homens teimam em quotidianamente desvirtuar a mesma com as suas atitudes egoístas, bélicas e invejosas. As feiras de vaidades estão aí e multiplicam-se, tal como as guerras.

Pena é que a mensagem não tenha sempre este significado e esta importância que lhe damos em dezembro e até aos Reis. Pena é que não seja sempre Natal.

 

COMENTÁRIOS