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Editorial: Fumo

José Júlio Cruz - 30/07/2026 - 9:02

Já não bastavam as poeiras do deserto norte africano para nos tapar o sol e encher as ruas e as casas de pó, chegou agora a época dos fogos para lhe juntar também o fumo.

O negro horizonte que se antevê daqui em diante contrasta com a época estival de férias, reuniões de família, passeios em grupo entre amigos, convívios, pescarias, churrascadas e afins, enfim, a vida em comum que tanta falta nos faz. O merecido descanso e o trabalho quotidiano são assim interrompidos, abruptamente, pelos incêndios.

Ninguém escapa, é uma espécie de guerra das nações contra um inimigo que nada poupa. Por estes dias, França e Espanha vivem momentos de terror e por cá as labaredas também já correm desenfreadas por campos e montes.

E parece que estamos condenados a que assim seja, ano após ano, plano após plano, estratégia após estratégia, Governo após Governo, ministro após ministro. Temos um inimigo comum a que não sabemos fazer frente. Vivemos numa Europa mais preocupada com impostos e guerras do que em defender os seus cidadãos e o seu território. Estamos à mercê do mundo dos negócios, quando todos sonhámos com um projeto de cidadãos e para os cidadãos.

Onde foi que nos perdemos no caminho? Não há GPS que o explique. Vamos de férias? Claro que vamos. Cá continuamos na luta? Obviamente que sim.

Se há coisa que não podemos fazer é desistir. Os «Adamastores» deste «novo normal» não nos vão derrubar. Ainda acredito que não.

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