O Governo aprovou na reunião do Conselho de Ministros da última segunda-feira um pacote de medidas destinadas à comunicação social e aos jornalistas.
Algumas das medidas há muito que eram reivindicadas pelas associações do setor, outras resultam de trabalho conjunto efetuado desde que o executivo liderado por Luís Montenegro tomou posse.
Em boa hora o país reconhece como essencial o papel das empresas deste setor e a defesa da língua portuguesa. Peca por tardio o seu anúncio e sobretudo a forma como foi efetuada a sua divulgação, precisamente um dia antes de o Governo cair na Assembleia da República vítima da rejeição de uma moção de confiança por si apresentada aos deputados.
Paradoxalmente, há boas e más notícias. Se por um lado a defesa da comunicação social séria e competente é um imperativo cada vez maior nos dias que correm, por outro o país vê-se mergulhado em nova crise política e a caminho de um ciclo infernal de eleições num período de nove meses (legislativas, autárquicas e presidenciais).
A toxicidade do ambiente político tende a crescer, com todas as conhecidas consequências que daí advêm para a vida das populações. A culpa, como se sabe, é atirada de um lado para o outro das habituais barricadas. Os jogos de poder e as guerrilhas internas no seio de cada um dos partidos tende também a crescer, pese embora os discursos de união e de estabilidade que os líderes impõem às hostes.
No circo mediático perfilam-se os candidatos. Cabe ao povo a decisão, ou melhor as decisões. Que ninguém se abstenha nas três eleições que se avizinham.