As inundações recentes em Espanha que levaram à morte de mais de duzentas pessoas na zona de Valência colocaram mais uma vez a nu a ganância humana. Aconteceu o mesmo na zona de Porto Alegre (sul do Brasil) há uns meses.
A ocupação com habitações e outras construções de zonas ribeirinhas, pantanosas e orlas costeiras acontece por todo o mundo. Também por cá.
Depois da tragédia, lá vêm os comentadores e os «especialistas» lembrar o que toda a gente sabe, mas passado algum tempo continua tudo igual e ninguém faz nada. Nem vou entrar na pantanosa discussão das alterações climáticas que só não vê quem não quer ver, mas ciclicamente há cheias um pouco por todo o lado, com alterações ou sem alterações climáticas. Tornaram-se foi mais frequentes.
Logo, sabendo isto, era escusado morrer tanta gente. Os antigos construíam as casas nos cimos dos montes. Porquê? É mais do que evidente. Ou seja, não aprendemos nada. Acreditamos que a ciência e a tecnologia resolvem tudo. Só que isso não acontece quando os fenómenos são violentos.
Não seria hora de aprendermos alguma coisa? E de começarmos a ter opções mais conscientes de acordo com a experiência adquirida? Temo que não.
Em Portugal, esta é também uma questão premente. Mas, por ora andamos entretidos a ver quem morre à espera de assistência. Outra coisa que não deveria acontecer, mas os números crescem a olhos vistos. São mais de uma dezena de pessoas só nas últimas semanas.
A importância da vida humana deveria ser a maior de todas as prioridades por parte de quem governa. É inegociável. Relativizar é criminoso.