A utilização da lã para sustentar terras e pedras nas montanhas depois de mais um verão demoníaco para a floresta só significa uma coisa: estamos desesperados para conseguir salvar o que ainda resta.
O projeto é pioneiro e a ideia é bem-vinda. É preciso mesmo salvar o que ainda resta. Sob pena de as serras se transformarem apenas em enormes rochas e a paisagem, outrora verde e luxuriante, se limitar a um monte de calhaus.
A ideia de que o país tinha de ser um jardim de pinheiros e eucaliptos para alimentar as celuloses levou ao atual estado de coisas. É verdade que durante algumas décadas essa situação fez com que as populações, sobretudo as mais carenciadas que habitam o interior envelhecido, tivessem ali um «porta-moedas» de emergência e um «plano poupança» para o futuro.
Acontece que o fogo está a destruir esse «banco» e as alternativas não se vislumbram, perante verões cada vez mais quentes e fenómenos meteorológicos extremos que posteriormente levam a terra das serras, deixando-as carecas.
Como o negócio da lã anda também pelas ruas da amargura, a sua utilização para salvar as serras e a água passa a ser possível. Há toneladas e toneladas dela ao desbarato. Trata-se de um mal menor.
Mas é com tristeza que assistimos a tudo isto, sem que os paliativos entretanto vindos do Terreiro do Paço não passem disso mesmo, a conta gotas, de discurso em discurso, de visita em visita… de estudo em estudo.
Convenhamos que o assunto está mais do que estudado e que seria hora de alguém o levar a sério.