«Gostaste? Não. Voltamos amanhã? Sim”. Era desta forma que terminava muitas vezes o show dos Marretas que animava as noites da TV há umas décadas, com os inigualáveis velhotes do camarote a comentarem à gargalhada o espetáculo proporcionado por uma equipa liderada pelo Cocas, o sapo.
O mundo está igual. Não mudou assim tanto. Rússia e Estados Unidos continuam a fazer o que querem, quando querem e a quem querem. O mundo é o seu quintal. São assim as «superpotências». Desengane-se quem pensar o contrário. Gostemos ou não, eles voltam amanhã, no dia seguinte, ou pura e simplesmente quando lhes apetecer.
«Fazer o quê?!», como dizem os brasileiros. Pois, essa é a questão. Os valores estão pelas ruas da amargura, tal como a cidadania ou os pilares civilizacionais. É o dinheiro que manda, seja ele travestido agora nas tão famosas terras raras ou nos velhos conhecidos petrodólares.
Digladiam-se os comentadores do costume (os que comentam tudo e mais alguma coisa, do futebol à geoestratégia) consoante os interesses que defendem e o povo vai assistindo à guerra em direto como a uma qualquer telenovela, com os mais acérrimos defensores de cada uma das partes mandando bitaites nas redes sociais, carregados da habitual sapiência saloia que por aí campeia.
Chega a ser penoso ter de pensar onde está a razão disto tudo, sabendo nós, tal como os velhos dos Marretas, que se nos perguntarem se gostamos do que vemos diremos que não, com a certeza de que eles voltarão amanhã. Se lhes apetecer. E irá certamente apetecer.