Sou dos que gostam mais daqueles que constroem pontes do que muros. Mas, respeito as muralhas. De tão antigas que são confundem-se muitas vezes com a nossa própria identidade.
Aparentemente, não há nada que as derrube. São robustas, altas e normalmente fazem parte de castelos, dentro dos quais está muita da nossa História e algum do nosso imaginário infantil.
Defenderam-nos noutros tempos de invasões, ameaças e estiveram sempre firmes ao lado dos que as habitaram, por dentro ou em seu redor.
É certo que com o passar do tempo perderam a sua importância, foram assaltadas, vilipendiadas e destruídas. Da maior parte sobram pedaços, ou ruínas. Raras são as que mantêm intacta a sua dignidade e imponência.
Os que as conseguem manter alimentam-se hoje de visitas e de turismo, uma atividade económica que ajuda a sustentar os territórios que agora as defendem, como elas outrora o fizeram.
Em Castelo Branco, as últimas chuvadas fizeram cair parte de uma das zonas onde ainda era visível a velha muralha. Não foram só as grossas pedras que caíram. É a nossa forma de defender e projetar a zona antiga da cidade que também está a ruir.
Servirá o triste episódio para que se olhe definitivamente para ela com a dignidade que merece? Veremos.