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Editorial: Muralha

José Júlio Cruz - 23/01/2025 - 9:00

Sou dos que gostam mais daqueles que constroem pontes do que muros. Mas, respeito as muralhas. De tão antigas que são confundem-se muitas vezes com a nossa própria identidade.

Aparentemente, não há nada que as derrube. São robustas, altas e normalmente fazem parte de castelos, dentro dos quais está muita da nossa História e algum do nosso imaginário infantil.

Defenderam-nos noutros tempos de invasões, ameaças e estiveram sempre firmes ao lado dos que as habitaram, por dentro ou em seu redor.

É certo que com o passar do tempo perderam a sua importância, foram assaltadas, vilipendiadas e destruídas. Da maior parte sobram pedaços, ou ruínas. Raras são as que mantêm intacta a sua dignidade e imponência.

Os que as conseguem manter alimentam-se hoje de visitas e de turismo, uma atividade económica que ajuda a sustentar os territórios que agora as defendem, como elas outrora o fizeram.

Em Castelo Branco, as últimas chuvadas fizeram cair parte de uma das zonas onde ainda era visível a velha muralha. Não foram só as grossas pedras que caíram. É a nossa forma de defender e projetar a zona antiga da cidade que também está a ruir.

Servirá o triste episódio para que se olhe definitivamente para ela com a dignidade que merece? Veremos.

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