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Editorial: Negócios

José Júlio Cruz - 30/04/2026 - 9:04

O prolongamento da guerra no Irão, Líbano, Ucrânia (desta já quase ninguém fala) tem causado efeitos nefastos, sobretudo no bolso do comum dos cidadãos. Paralelamente, sobretudo ao nível das grandes empresas de energia e banca, multiplicam-se os lucros astronómicos apresentados, como de costume, pela eficácia da sua gestão e dos seus magníficos e competentes administradores.
Os sem vergonha que despoletaram isto tudo atrevem-se mesmo a dizer, com descaramento, que «quando os preços do petróleo sobem ganhamos todos muito dinheiro» (Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, março de 2026). Todos quem?! Não é preciso pensar muito, os mesmos do costume.
A Europa sofre, fruto da dependência externa em várias matérias (tecnologia, alimentação, energia, defesa, etc), mas isso parece também agradar a esta nova ordem mundial que se perfila eternizar em torno do eixo Washington-Moscovo-Pequim.
Ora, quem cá vive sabe, porque lhe saiu do bolso, que quando a partir de 2008 se instalou a crise nos mercados e na banca, foi ao comum dos cidadãos que lhe foi imputado o «pagamento» de tudo isso. Nessa altura, os desempoeirados políticos e gestores de topo meteram «o rabinho entre as pernas» e assobiaram para o lado. Foram os estados que socorreram os privados. Tal como agora, acumulam-se dívidas públicas e inflação (inclusive nos países todo-poderosos) e multiplicam-se os lucros privados.
E o pior é que não há sinais, mínimos que sejam, de que alguma coisa vá mudar.

 

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