Este site utiliza cookies. Ao continuar a navegar no nosso website está a consentir a utilização de cookies. Saiba mais

Editorial: No jornal podem tocar

José Júlio Cruz - 27/06/2024 - 11:00

Ao tocar com o seu dedinho em Cristiano Ronaldo uma jovem adepta teve no último sábado a certeza de que este é real.

Ainda que o estratosférico CR7 estivesse ali no estádio à sua frente, ela teve a necessidade de lhe tocar para que se dissipassem as dúvidas que ainda teria a respeito, não fosse tratar-se de um qualquer holograma ou boneco animado.

Está cada vez mais ténue a diferença entre realidade e ficção nos dias que correm. O exemplo desta jovem adepta é apenas uma simples dúvida que assalta o cérebro de uma criança de tenra idade, mas os perigos que corremos ao vermos crescer uma geração neste limbo são enormes.

Desde logo o poderem vir a não conseguir distinguir entre o mal e bem, entre guerra e paz, entre a verdade e a mentira, entre a informação e as notícias falsas (fake news, como se diz à escala global).

Quando às vezes me perguntam «aquilo que vocês publicaram é assim?» ainda mais preocupado fico. A conversa chega sempre ao ponto do «vi na net», «li num site já não sei onde», etc, etc…

Tal como fez a menina para ter a certeza, podem tocar no jornal. É real. A empresa é real, tem trabalhadores reais e publicamos de facto notícias em diferentes plataformas.

A literacia dos media e da informação está a fazer o seu caminho. Espinhoso é o trajeto, tal a prodigalidade de «engenheiros do caos» (como lhes chamou Giuliano da Empoli) a operarem por aí.

 

COMENTÁRIOS