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Editorial: O sopro

José Júlio Cruz - 10/10/2024 - 9:00

Ao não conseguir resistir ao «soundbite» (frase impactante, em tradução livre) quando apresentou o pacote de medidas de apoio à comunicação social, Luís Montenegro praticamente apagou a substância das mesmas, permitindo que a discussão passasse a ser, como de costume, o acessório e não o essencial.

Como se «soprar notícias» não fosse prática comum nos políticos. Assim sendo, o que fica de tudo o que falou o Primeiro-Ministro? Que a RTP está a dispensar pessoas e pouco mais.

Ainda a procissão ia no adro quando deu uma entrevista televisiva num outro canal a uma muito respeitável senhora, mas que, imagine-se, não tem carteira profissional de jornalista. Convenhamos que para quem tanto se esforçou a dizer que o Estado está empenhado em valorizar a profissão não foi a melhor das opções.

Isto tudo no espaço de poucas horas. Mais uma vez, o que deveria ser uma discussão séria, porque o assunto é de facto sério e merece e deve ser discutido, passou para a «gritaria» das redes sociais, aquilo que o pagode mais aprecia e faz gala em participar.

Perde-se a oportunidade e nada se acrescenta de útil.

Acredito que o tenha feito inadvertidamente, embora isso também revele que lhe falta pelo menos uma assessoria capaz no setor. Se o fez de propósito, desculpem o inglesismo, «Oh my God!”.

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