Nuno Melo decidiu ressuscitar uma velha discussão que de tão velha já é mais do domínio do anedotário do que da diplomacia.
Vestido com o fato de ministro da Defesa Nacional não só mordeu o isco como engoliu profundamente o anzol quando um jornalista lhe perguntou em Estremoz, na casa do regimento conhecido como “Dragões de Olivença”, se aquela localidade era portuguesa ou espanhola.
“Olivença é portuguesa, naturalmente”, respondeu, com a cúpula do Exército no enquadramento.
E assim andou o país entretido durante mais uns dias, enquanto os nossos vizinhos nos invadiam pacificamente para dar uma preciosa ajuda no combate aos incêndios.
Não faltam temas para o líder do CDS, quem o representa no Parlamento ou até mesmo qualquer outro político interessado forçarem uma discussão sobre temas verdadeiramente importantes para as relações transfronteiriças.
O primeiro é sobre o encerramento da central nuclear de Almaraz e a construção do armazém que vai receber os seus despojos, cuja consulta pública passou praticamente despercebida.
O outro é a fronteira entre Montalvão e Cedillo, que por vontade da Iberdrola só abre ao fim-de-semana, obrigando a um demorado desvio para atravessar a fronteira.
E já que faz parte do Governo em funções não seria má ideia tentar saber em que ponto está o IC31, algo que as autoridades de Madrid e da Extremadura certamente também agradeceriam.
Tudo o resto parece uma ofensiva contra um gigante que afinal é um moinho de vento, como nos ensinou Cervantes com o Dom Quixote.