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Editorial: Olivença, Almaraz e Cedillo

José Furtado - 26/09/2024 - 15:29

Nuno Melo decidiu ressuscitar uma velha discussão que de tão velha já é mais do domínio do anedotário do que da diplomacia.

Vestido com o fato de ministro da Defesa Nacional não só mordeu o isco como engoliu profundamente o anzol quando um jornalista lhe perguntou em Estremoz, na casa do regimento conhecido como “Dragões de Olivença”, se aquela localidade era portuguesa ou espanhola.

“Olivença é portuguesa, naturalmente”, respondeu, com a cúpula do Exército no enquadramento.

E assim andou o país entretido durante mais uns dias, enquanto os nossos vizinhos nos invadiam pacificamente para dar uma preciosa ajuda no combate aos incêndios.

Não faltam temas para o líder do CDS, quem o representa no Parlamento ou até mesmo qualquer outro político interessado forçarem uma discussão sobre temas verdadeiramente importantes para as relações transfronteiriças.

O primeiro é sobre o encerramento da central nuclear de Almaraz e a construção do armazém que vai receber os seus despojos, cuja consulta pública passou praticamente despercebida.

O outro é a fronteira entre Montalvão e Cedillo, que por vontade da Iberdrola só abre ao fim-de-semana, obrigando a um demorado desvio para atravessar a fronteira.

E já que faz parte do Governo em funções não seria má ideia tentar saber em que ponto está o IC31, algo que as autoridades de Madrid e da Extremadura certamente também agradeceriam.

Tudo o resto parece uma ofensiva contra um gigante que afinal é um moinho de vento, como nos ensinou Cervantes com o Dom Quixote.

COMENTÁRIOS

Jose Almeida
à muito tempo atrás
Sr. José Furtado, conhece o assunto? Parece que não. Já consultou a História? Ouviu historiadores?
Carlos Luna
à muito tempo atrás
Não sou da mesma área política de Nuno Melo: Sou "muito mais à esquerda. Nem penso que as suas palavras tenham surgido como deviam. Mas uma coisa sei.: o ESTADO PORTUGUÊS não reconhece a legalidade da posse espanhola de Olivença. A Ponte da Ajuda, entre Elvas e Olivença, é exclusivamente portuguesa. Em 2018, Olivença não se juntou à Eurocidade Elvas.Badajoz-Campo Maior por causa dum veto de LIsboa. Há aqui muita hipocrisia!
José Furtado
à muito tempo atrás
Caro José Almeida. O meu texto não é sobre a problemática de Olivença mas sim sobre a falta de atenção dada a outros assuntos transfronteiriços que não resistem à espuma dos dias e que de facto afetam os cidadãos no seu dia-a-dia. Como os casos de Cedillo e de Almaraz, que andam arredados da agenda mediática. Cumprimentos