As guerras intestinas no seio do Ministério da Administração Interna colocam a nu a fragilidade da coisa pública e a precariedade no normal funcionamento das instituições.
O assunto é polémico, mas merece ser discutido seriamente e, como de costume, armam-se as barricadas em torno dos interesses de cada um e fica mais longe a necessidade de uma atuação séria sobre um assunto que é, de facto, demasiado sério.
Com o mundo em guerra à escala global, sim o mundo está em guerra, um país como o nosso não se pode dar ao luxo de ter um setor tão sensível como este em constante convulsão. Esta espécie de «guerra civil» de nada nos serve enquanto Nação e expõe as nossas fraquezas a céu aberto.
Enquanto o ministro se procura manter à tona num mar agitado onde sobram vagas do tipo «canhão da Nazaré» e vão faltando boias, os seus detratores internos e externos vão afiando as facas. O Governo procura manter-se unido, enquanto a oposição vai fazendo o seu trabalho e comprando as pipocas, porque o filme parece ser de longa-metragem.
E ainda nem sequer teve início a famigerada comissão de inquérito que promete incendiar não só os corredores do Parlamento como todo o espaço mediático, muito para além da bolha.
Enfraquece o país como um todo e não apenas a sua administração interna. Desgastam-se energias e desviam-se atenções que seriam importantes na missão de orientar este e outros setores da nossa sociedade rumo ao futuro.
No meio de tudo isto, volta a aparecer um antigo Primeiro Ministro, do espectro político do atual, a posicionar-se para ser o homem do leme, caso venha a ser necessário, como o próprio não se cansa de declarar em sucessivas aparições públicas, sejam elas apresentações de livros, conferências ou na mais recente entrevista televisiva.
Não sei se não devamos também ir comprar pipocas…