Meio século depois do alcainense António Ramalho Eanes ter sido eleito Presidente da República, o distrito de Castelo Branco volta a ter um filho destas terras no mais alto cargo da Nação. O penamacorense António José Seguro foi o candidato mais votado de sempre numa eleição presidencial e prepara-se para ocupar o palácio de Belém sucedendo a Marcelo Rebelo de Sousa.
Eleito à primeira volta a 27 de junho de 1976 (61,59% - 2 967 137 votos) Eanes derrotou Otelo Saraiva de Carvalho, Pinheiro de Azevedo e Octávio Pato. Seguro precisou de duas voltas para vencer André Ventura, mas fê-lo de forma clara e inequívoca, depois de também já ter sido o mais votado entre 11 candidatos na primeira volta.
Daqui em diante não terá vida fácil. Entra em funções em março, mas os ventos, cheias e tempestades que têm devastado o país carregam desde já sobre si responsabilidades acrescidas. Está consciente disso, foram precisamente para os cidadãos em sofrimento as suas primeiras palavras. Mas, mais do que palavras, o país precisa de se levantar, reerguer habitações, equipamentos e infraestruturas, numa ação que compete mais ao Governo do que ao Presidente da República, mas onde este será o garante de dar voz aos que não têm voz e de manter a esperança reacendendo a autoestima no povo. Quem se anunciou como «Um de nós» sabe o que o espera e tem agora a oportunidade e o dever de não deixar ninguém isolado nem para trás.
Para o conseguir terá de ser mais beirão do que nunca, rijo, lutador, resiliente, sem, contudo, perder a diplomacia e o saber estar que o carateriza. Quem começou com 6% numa sondagem e acabou com mais de 66% dos votos dos portugueses certamente que estará à altura dos acontecimentos.
O país não lhe perdoará se assim não for.