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Editorial: Prospeção

José Júlio Cruz - 10/04/2025 - 9:00

Os novos garimpeiros (leia-se empresas multinacionais) estão de novo de olho nesta região do país. Os editais para projetos de prospeção foram publicados e iniciaram-se as chamadas sessões de esclarecimento.

Nada de novo. Sempre houve garimpeiros por cá. Há décadas e décadas. Todos ouvimos essas histórias da boca dos nossos avós.

Há uns meses no rio Ocreza, não muito longe da ponte que junta os concelhos de Vila Velha de Ródão e Proença-a-Nova, dois garimpeiros, à moda antiga, quais «cowboys» da Beira Baixa, procuravam pepitas de ouro equipados a preceito, varrendo cuidadosamente o então leito do rio completamente vazio. A barragem da Pracana, em obras, esvaziara grande parte da sua albufeira.

Vieram as chuvadas, voltou a subir o nível do rio que agora corre a galope e foram-se os garimpeiros.

Sempre houve ouro na nossa região, quiçá em quantidades que não justificam a sua exploração comercial em força. Tem sido essa pelo menos a conclusão das empresas, a maior parte estrangeiras, que antes das atuais aqui o procuraram.

Agora, voltaram as empresas à prospeção. A novidade está em que, desta vez, quem levanta a voz contra as mesmas, procurando proteger os pequenos paraísos onde moram, são maioritariamente os cidadãos estrangeiros que aqui se fixaram nas últimas décadas. E recolhem-se assinaturas contra a prospeção. Curioso.

Reconquista vai continuar a acompanhar o desenvolvimento deste processo. Para já, damos conta dessa circunstância na página 3 desta edição.

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