Os patrões das grandes redes sociais deixaram cair os programas e respetivas equipas de verificação de factos.
Em nome de uma «liberdade de expressão» que deixa muito que desejar – pelo menos à luz do entendimento das últimas décadas nas sociedades ditas evoluídas – saem de cena aqueles, poucos, que ainda se preocupavam com a decência e a veracidade de muitas das publicações que circulam por esse mundo fora.
As novas práticas de moderação (como lhes chamam) estão muito longe de estar sequer verificadas ou estudadas. É como se, de repente, vivêssemos numa sociedade sem polícias e sem tribunais e deixássemos ao critério de cada um a regulação da sua relação com o outro (o quadro pode parecer exagerado, mas é o que é). Dá para imaginar o resultado?
Paradoxalmente, os patrões que agora decidem assim são os mesmos que defendem estados cada mais policiais e duros. Sociedades mais musculadas sob o ponto de vista da segurança seja ela interna ou externa. Dá para perceber?
Dá pelo menos que pensar. O que o futuro trará a este nível ninguém sabe, mas a experiência em curso pode custar caro. À Democracia, em primeiro lugar.
Mas, isso também parece que interessa pouco a quem agora defende a «liberdade de expressão».
Não será por acaso que os jovens cada vez se afastam mais dessas redes sociais e preferem apenas a imagem. E dão à imagem a sua preferência, fugindo das redes onde os «adultos» se digladiam e tentam impor à força, sem regulação e verificação de factos, os seus argumentos e ideias.
Acreditemos que serão os jovens um dia a mudar tudo de novo. Mas, também não está fácil para eles.