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Editorial: Sacudir a água... do capote

José Júlio Cruz - 05/09/2024 - 9:00

Não tenho quaisquer dotes premonitórios, nem desejo ter, mas não era nada difícil de prever o que aí vinha a respeito da gestão da água nesta zona do país.

De facto, nas últimas semanas, começaram os ataques e contra-ataques dos diferentes atores políticos sobre esta matéria. Esgrimem-se os argumentos, mas, como de costume, as preocupações passam mais por atirar para cima do outro as «culpas» de um intricado processo, do que em esclarecer ou definir os rumos que cada um pretende.

Tal como aqui escrevi a 22 de agosto “a um ano de eleições autárquicas não me parece que tal possa suceder, sem descambar para o indesejável populismo eleitoral”. E as culpas têm todos de as assumir.

Com o país a braços entre quedas de helicópteros, o novo treinador do Benfica e a privatização da TAP (mais uma) é o projeto de Regadio ao Sul da Gardunha a partir de Santa Águeda que aquece as hostes albicastrenses. Só conferências de imprensa houve quatro no espaço de uma semana, promovidas pelas duas maiores forças políticas com assento no executivo municipal. Remoem-se os argumentos, discutem-se as minudências e, para bom entendedor, muda-se alguma coisa para que tudo fique na mesma.

Agradece o povo que se tomem decisões claras e definitivas sobre a matéria. Se há assunto que merece um «pacto de regime» e uma verdadeira e eficaz «auscultação popular» este parece ser claramente um deles.

Seria bom que não se continuasse a sacudir a água do capote.

Haja coragem!

 

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