O setor da Saúde continua a deixar os portugueses com os cabelos em pé. Acumulam-se os relatos de utentes vítimas de horas intermináveis à espera de atendimento, atrasos nas cirurgias, caos nos serviços de urgência, problemas com as ambulâncias, demissões, médicos e enfermeiros exaustos, falta de recursos humanos, etc., etc.
Em determinados atendimentos, agora pede-se ao utente que escreva num papel aquilo que vai dizer ao médico, o motivo da consulta. Será possível?!
Curiosamente, este é um dos setores mais badalados na comunicação social, é raro o dia em que não é notícia pelos piores motivos e sobre o qual os partidos menos se entendem.
Ininterrupta é a saga das acusações mútuas e do passar de culpas. Como se alguém fosse inocente na matéria.
Quando a Saúde serve para arma de arremesso político está tudo dito sobre a capacidade de um país se governar a si próprio. «Brinca-se» com a vida das pessoas. De que serve um Estado se não for para cuidar os seus cidadãos?
Os dirigentes mais responsáveis, já roucos de bradar sobre pactos de regime em matérias essenciais, vão baixando os braços ao ritmo que crescem os interesses e os apetites sobre o «bolo» de milhões que o setor envolve nas suas diversas valências.
Nos dias que correm, tudo é um negócio e os valores (os da humanidade) naufragam perante as vagas do vil metal que inundam tudo e todos.