“O poder demente aliado ao triunfalismo tecnológico faz que a cada dia, a cada manhã, ao irmos ao encontro das notícias da noite, sintamos como a Terra redonda é disputada por vários pescoços em competição, como se mais uma vez se tratasse de um berloque. E os cidadãos são apenas público que assiste a espetáculos em ecrãs de bolso. Por alguma razão, os cidadãos hoje regrediram à subtil designação de seguidores. E os seus ídolos são fantasmas”, declarou Lídia Jorge, a escritora algarvia que presidiu terça-feira à comissão organizadora das comemorações do 10 de Junho, o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
Já aqui por diversas vezes aludimos à bolha mediática em que atualmente se vive, com consequências catastróficas para a cidadania e consequentemente para a existência humana, no sentido em que o ser humano se distingue das outras espécies precisamente pela inteligência e capacidade de raciocinar.
Agindo praticamente por instinto nos tais ecrãs de bolso, cada vez mais cidadãos limitam-se a seguir, a criticar, a odiar e a berrar, tantas vezes inconsequentemente. É tudo tão rápido que o pensamento se tornou aborrecido e, para muitos, uma perda de tempo. Como refere Lídia Jorge, “os cidadãos hoje regrediram à subtil designação de seguidores” (nunca será demais repetir).
“Penso, logo existo”, é uma frase icônica da autoria do filósofo francês René Descartes. No mundo atual, quem está disposto a pensar e a recusar-se ser apenas seguidor? Pois é…