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Editorial: Ventos de paz... e de guerra

José Júlio Cruz - 01/08/2024 - 9:30

Os Jogos Olímpicos de Paris vieram por momentos desviar a atenção mediática das guerras, parecendo dar a ideia de que o mundo pula e avança num clima de paz e fraternidade. Ainda que apenas por umas semanas.

Mas, só as câmaras é que deixaram de estar apontadas para a crua realidade do dia a dia planetário, para se centrarem na maior manifestação desportiva mundial. Por instantes, nas nossas casas discutem-se exibições, resultados, eliminações e choros de alegria e tristeza fruto das prestações desportivas mais ou menos conseguidas.

Nas vésperas do início da competição, o Papa Francisco apelara “ao calar das armas, na esperança de resolver os conflitos e restabelecer a concórdia”. Fez o que lhe competia. Mas, foi o único. Ninguém o ouviu, ou melhor todos fizeram que não o ouviram.

Em determinadas zonas do globo houve até um incremento da atividade bélica, fruto das «olímpicas» ambições dos do costume. Os ventos de Paris não fizeram por isso amainar as altas temperaturas da guerra e há até quem se esteja a preocupar seriamente com os ventos da guerra, para que não cheguem a Paris.

Seria desastroso se assim fosse.

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