O Programa Parlamento dos Jovens é uma iniciativa da Assembleia da República, dirigida aos jovens dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e do ensino secundário, de escolas do ensino público, particular e cooperativo do continente, das regiões autónomas e dos círculos da Europa e de Fora da Europa, contando já com 25 anos de história.
Tem como objetivo a educação para a cidadania, estimulando a participação cívica e política, ao mesmo tempo que dá a conhecer a Assembleia da República e pede a estes jovens que contribuam para a resolução de problemas que os afetem construindo e apresentando propostas junto dos órgãos de poder político.
Durante os meses de dezembro e janeiro, os deputados distribuem-se pelas escolas inscritas, fazendo uma sessão em que se explica o funcionamento da Assembleia da República e se incentiva a discussão em torno de um tema, escolhido no ano anterior pelos jovens que participaram nesta mesma iniciativa.
Saber que a saúde mental nos jovens foi o tema escolhido já nos devia ter feito consciencializar da dimensão do problema. Mas só no contacto com as comunidades escolares percebemos a quantidade de fontes de frustração a que os jovens se sentem sujeitos.
Encontrei jovens com muitas perguntas, algumas desconcertantes e que me fizeram jurar a mim própria que o tema me merece atenção dedicada, encontrei jovens que se notam contaminados por uma retórica própria de uma direita não democrática que atua sem limites para acabar com a democracia (os novos donos disto tudo) e encontrei um tipo de jovens que me deixou igualmente preocupada porque se abstêm de se manifestar.
Pensei para mim que esta é a geração filha de uma geração que já nasceu em liberdade, mas que exige muito dos seus próprios filhos: alunos brilhantes, atletas de pódio, poliglotas, longe de tudo o que os possa magoar.
Tal como lhes arrancamos tarefas e responsabilidades domésticas das mãos porque nós fazemos melhor e mais depressa também lhes construímos objetivos e sonhos e lutamos para os livrar de todos os obstáculos que lhes apareçam pelo caminho.
Apontei questões que me tiraram o chão por motivos diferentes. As que dizem respeito a frustrações ligadas a escolhas, as que dizem respeito a sensações de incapacidade, as que dizem respeito a descrença na democracia, as que denunciam sentimentos de xenofobia, as que me perguntavam como resolver problemas dos adultos que lhes são próximos.
Se dúvidas tivesse, assumi uma certeza: a maior parte dos jovens entrou tem pelo menos um sentimento de desconfiança em relação à democracia que cumpre 50 anos no próximo ano.
De pouco servirá acenar-lhes com memórias nossas porque não são vivências que lhes façam sentido. A mensagem política construtiva não passa, abafada pela agenda dos meios de comunicação que precisam vender notícias apelativas para sua própria sobrevivência e a desconfiança dos cidadãos em relação a quem os representa ou governa cresce de dia para dia, ao ponto de estarmos a ver desaparecer a força reivindicativa da juventude.
Nas aulas de saúde de um longínquo 9º ano decorei uma definição: «A saúde é o conjunto de um bem-estar físico, mental e social.»
Será que nós políticos estamos a dar a devida importância à análise do fator social?