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Professores ao rubro

Florentino Beirão - 02/02/2023 - 9:59

"Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar- escreveu a poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen, num dos seus inspirados versos. Vieram-me à memória estas palavras a propósito da justa luta dos professores que se promete prolongar ao longo das próximas semanas. Garantem-nos que estas greves se poderão prolongar até ao mês de fevereiro, caso não haja da parte do Governo, resposta satisfatória às suas amplas reivindicações.
O que temos visto nas últimas semanas é escolas fechadas, umas atrás das outras, do norte ao sul do país, enquanto decorrem manifestações ruidosas e frequentes, à porta dos edifícios escolares. Quem não recorda a enorme manifestação em Lisboa, denominada “marcha pela Educação” que encheu a enorme avenida da Liberdade, com milhares e milhares de professores, desfilando do Marquês de Pombal até à ampla e magnífica Praça do Comércio? Um mar de gente, formada por professores e outros trabalhadores das escolas, de todas as idades, a clamarem por um conjunto de reformas. Desde melhores salários, contagem de serviço e descongelamento das carreiras, paradas há largos anos. Dizem ainda não querer andar com a casa às costas, de terra em terra, uma vida inteira. Clamam ainda o Respeito pela sua nobre missão de ensinar.
Os resultados negativos das greves têm sido mais evidentes e dolorosos, tanto para os alunos como para as suas famílias que têm mostrado imensas dificuldades em deixarem os filhos à guarda de alguém enquanto trabalham.
Um dado novo desta luta é ela ter sido começada, com fortíssima adesão, por um sindicato, acabado de nascer, denominado Sindicato de Todos os Professores (STOP). A adesão foi de tal monta que rapidamente os professores de todas as idades e categorias profissionais aderiram a ele pois estão fartos de clamarem pelos seus direitos, sem que eles sejam atendidos por parte do Governo de António Costa.
Desde o dia nove de dezembro que temos visto que a greves dos professores se têm multiplicado, formadas por concentrações e cordões humanos, em frete às escolas de todos os níveis de ensino, desde o básico ao secundário.
Esta luta das escolas, além dos professores, inclui ainda o pessoal não docente e a convocação, por iniciativa do sindicato Independente, (SIPE), de professores e educadores.
Não querendo ficar de fora, acabou por também aderir a este grande movimento grevista o peso pesado do sindicalismo dos docentes, a Federação Nacional de Professores (Fenprof) em conjunto com mais sete sindicatos independentes. Todos já foram convocados para reuniões com o ministro da Educação, a fim de dialogarem sobre as reivindicações em causa.
Estas repetidas greves, por estranho que pareça, segundo uma sondagem recente da intercampus, revela que 60% dos portugueses estão de acordo com as iniciativas dos grevistas.
 Da parte do ministro da Educação, João Costa, secretário de Estado da Educação já nos dois governos anteriores do PS, é considerado por alguns, como um ministro a prazo face a esta escaldante escalada grevista. Porém, segundo ele, a sua posição é firme em continuar no Governo, pois consciente que está, bem como a sua equipa, que todos estão a trabalhar e empenhados em “garantir uma melhor educação para todos”.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com opiniões sobre tudo o que se passa no país, por sua vez, também já veio a terreiro, falando com os professores, garantindo-lhes que se mostra compreensível com as lutas dos docentes, na sua jornada de luta. Só que, acrescenta ele, a solução não depende só do ministro da Educação, mas de todo o Governo, nomeadamente, do ministro das Finanças que tem de apresentar contas certas na Europa.
Recorde-se que este mal - estar da classe docente já vem dos inícios de novembro, altura em que o ministro da Educação apresentou uma polémica proposta de princípios para um novo modelo de recrutamento de professores para as escolas. Logo que ela foi apresentada, a polémica, de imediato rebentou nas escolas, criticando-se este novo modelo que, supostamente colocava os docentes nas mãos dos municípios. Apesar dos desmentidos do ministro da Educação, os professores não acreditaram nas suas palavras, sobretudo os dirigentes sindicais que pegaram nestas supostas intenções do ministro, para mobilizarem os professores para estas greves que teimam em não acabar. Agora, é chegada a hora do diálogo. A bem de todos, por favor, entendam-se. O bem do país e da democracia o exigem.
florentinobeirao @hotmail.com

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