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Estratégia: Cereja também alimenta o turismo

Paula Reis - 08/01/2026 - 9:01

Manhã fria de início de inverno, a subida a Tornavacas, no Vale do Jerte é uma festa para os sentidos: os cumes nevados, o vento frio, a água a correr abundante. Nos socalcos, pessoas e máquinas na lavor da poda.

Acima das cerejeiras, um bosque fechado de carvalhos. Sinalização de «coto de caza» frequente, bem como de alojamentos e restauração são sinais de outras atividades económicas.

Nas ementas aparecem, para além da carne de bovino, o borrego o javali, o veado e os cogumelos.

«Há quantos anos vivem da cereja?

Começámos a substituir oliveiras e vinha por cerejeiras há 60 anos»

Numa área de 36 mil hectares, existem mais de 12 mil produtores registados, dos quais 345 têm mais de 5 hectares de produção.

Neste vale de microclima próprio, encostado a uma das zonas mais pobres do país vizinho, os agricultores decidiram especializar-se, aglomerar-se em cooperativas e à volta de uma denominação de origem que os defende nos mercados de outras regiões do país e da europa.

A cereja também alimenta o turismo, a par com uma estratégia de defesa do património natural e cultural, bem como uma série de atividades correlacionadas como é o caso dos transportes ou embalagem.

O poder regional é visível por todo lado. Principalmente nos fios condutores de uma estratégia de união dos atores locais. Um exemplo? Os locais de divulgação patrimonial natural ou cultural têm uma estratégia de divulgação e gestão conjunta. A marca Extremadura é visível por todo lado, até na investigação aliada à agricultura ou à história local.

Há um documentário de 1933 que retrata uma região de pobreza extrema, paredes meias com este vale, que sofreria com as agruras do terreno, do clima e da falta de acessibilidades. O nome dá conta disso mesmo: «Las Hurdes, Tierra sin Pan».

Oitenta anos depois, surgiu um outro filme, para reposicionar na mente das pessoas uma transformação da mesma região. «Las Hurdes, Tierra com Alma» faz o mesmo percurso do seu antecessor, mostrando como uma fatalidade (o isolamento) se transformou em fator de competitividade, através da conservação da autenticidade do próprio destino.

A impressão que me deixou aquele vale foi esta. A de uma região que se une para produzir sustento, mas que também protege e tira vantagens da paisagem natural que herdou e dos costumes que lhes vêm de tempos imemoriais. Não será isto uma quadratura do círculo em termos de desenvolvimento regional?

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