Fabre Actum: Sabedoria popular em debate

Lídia Barata - 03/10/2019 - 10:33

A Fabre Actum dedica o seu quarto encontro à forma como o povo mantinha, ou ainda mantém, crenças e mitos em relação ao trabalho e à natureza.

 

Palestras decorrem no Conservatório Regional de Castelo Branco

“Lá diz o povo que…” é o início de uma expressão muito frequente a que recorremos quando evocamos algo que é tradicional, ou hábito dos antigos. As cantigas que disfarçavam a fadiga do trabalho no campo, as que retratam a fé do povo, as rezas, as mezinhas ou a sua relação com a natureza, integradas no romanceiro oral tradicional, mas também os símbolos, crenças e mitos existentes nos contextos rurais, vão estar em destaque a 11 e 12 de outubro, naquela que será a quarta edição do Encontro Património & Artes, organizado pela Fabre Actum – Associação para a Dinamização, Defesa & Animação de Patrimónios e Artes. A sabedoria popular e a tradição oral são o mote para mais este fórum, que volta a ter como palco o auditório do Conservatório Regional de Castelo Branco, onde convidados de diversas áreas vão abordar os rituais populares e a sua influência nas culturas urbanas.

A conferência inaugural, sexta-feira, às 15H00, tem o tema “A arte da memória e os saberes populares: (con)textos de aprendizagens”, pelo escritor e etnógrafo Alexandre Parafita. Mas o programa integra ainda mais três painéis de debate, dois na tarde do primeiro dia e o último na manhã seguinte.

O primeiro painel é dedicado ao tema “Cultura popular e tradição oral”, subdividindo-se na abordagem sobre “O Cancioneiro oral tradicional”, por Ana Maria Paiva Morão, do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e “As culturas populares da região de Castelo Branco, suas influências e rituais”, pela investigadora Adelaide Salvado.

O segundo painel tem como mote “Misticismo e sabedoria popular”, com Carlos Moura, da Associação Outrém, sobre “Mezinhas e benzeduras para prevenir, ou curar”;

Celeste Ribeiro, da Fabre Actum, sobre “Misticismo e simbologia”; Cristina Pereira, do Instituto Politécnico de Castelo Branco, sobre “Arquétipos, inconsciente coletivo e mandalas: alguns apontamentos sobre Carl Jung”.

O terceiro painel é dedicado ao “Saber viver ao ritmo das estações”, com os subtemas “A vida regida ao sabor das estações: conhecimento empírico, conhecimento científico”, por Margarida Afonso e Helena Tomás, do Clube Unesco – Ciência, Tradição e Cultura; “As máscaras em manifestações sazonais”, por Madalena Leitão, da Fabre Actum; e “Canções e cantilenas ao ritmo das estações”, por Leonor Narciso, da Casa do Povo do Paul.

Paralelamente, decorre um programa de animação cultural, com a realização de uma queimada galega e a intervenção musical do grupo Trotto Saltarelo, junto à Praça Camões, na zona histórica da cidade. No segundo dia, e após o terceiro painel, o encontro encerra com mais um momento artístico.

Recorde-se que o Encontro abordou nas edições anteriores, os temas “Património industrial e meio ambiente”, “Património sonoro e folclórico da Beira Baixa” e “Água enquanto riqueza natural e cultural”.

As inscrições estão a decorrer até dia 10 de outubro.

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