“O princípio do gesto – Manuel Cargaleiro” é o nome da exposição que fica patente no CIART e marca o início das celebrações dos 100 anos do nascimento do mestre.
Manuel Cargaleiro nasceu a 16 de março de 1927
“O princípio do gesto – Manuel Cargaleiro” é o nome da exposição que a Fundação Manuel Cargaleiro inaugura dia 27 de junho, pelas 15H30, no CIART – Centro de Interpretação de Arte Rupestre do Vale do Tejo, em Vila Velha de Ródão e que marca o início das celebrações dos 100 anos do nascimento do mestre, que será apresentado às 17H00 na Feira dos Sabores do Tejo.
Esta mostra representa, simbiolicamente, o regresso do artista ao território que o viu nascer, na aldeia de Chão das Servas, dia 16 de março de 1927.
A exposição, organizada em parceria com a Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão, reúne um conjunto de desenhos a tinta-da-china sobre papel e cartão, placas de xisto pintadas a óleo, azulejos e placas cerâmicas esgrafitadas, tudo da Coleção da Fundação Manuel Cargaleiro. Estabelece ainda “um diálogo singular entre a obra do mestre e o contexto patrimonial do CIART, espaço dedicado à arte rupestre do Vale do Tejo, criando uma ponte conceptual entre tempos, linguagens e formas de inscrição”.
Gonçalo Garcia Magano, diretor da Fundação Manuel Cargaleiro e curador da exposição, explica que “a narrativa da mostra não se constrói a partir de uma lógica biográfica ou comemorativa, mas antes de uma hipótese conceptual, a de reconhecer que o gesto, enquanto forma de inscrição, de construção e de pensamento, permanece como um dos fundamentos da criação artística”.
A exposição estrutura-se em dois momentos, “o primeiro apresenta desenhos de grande economia estética, onde a redução formal permite evidenciar a gestualidade na sua expressão mais direta, acompanhados de placas de xisto que introduzem uma dimensão material e simbólica, aproximando o gesto de uma ideia de inscrição que ultrapassa o plano do papel” e o segundo momento “desloca o gesto do campo do desenho para o da materialidade, através de azulejos e placas cerâmicas esgrafitadas, onde o gesto se afirma como ação física sobre a superfície, numa lógica próxima da gravação”.
A exposição integra-se no percurso expositivo do CIART, “sem se sobrepor ao discurso existente, mas introduzindo uma nova camada de leitura que convida o visitante a reconhecer, na obra de Manuel Cargaleiro, a permanência de um gesto que, desde sempre, acompanha a necessidade humana de representar”.
A programação do centenário incluirá mais de cinco exposições e iniciativas culturais dispersas por todo o território nacional ao longo de 2026, 2027 e 2028, reafirmando o compromisso da instituição com a divulgação e valorização do legado artístico de Manuel Cargaleiro.