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Gastronomia Q.B.: A valorização dos produtos e pratos tradicionais

Ricardo Fradique-Nunes - 23/03/2023 - 9:46

Apesar de muito já se ter feito no âmbito da valorização dos produtos e pratos tradicionais, é de elementar importância criar um plano de defesa e promoção do património gastronómico português, que de forma generalizada e sob as mais variadas formas (escrita, fotografia, vídeo, etc.) o registe, que promova a sua divulgação e a sua transmissão, quer em contexto de formação formal quer informal, que incentive a criatividade e a inovação, sem descurar o profundo respeito pelos produtos e pratos tidos como originais e, “educar o gosto”, não no sentido de o “formatar”, mas sim de o “qualificar”, promovendo um conhecimento mais profundo dos diversos produtos e pratos de relevância local e nacional. 
E dessa forma, estimular a sede de conhecer e descobrir as raízes da nossa gastronomia, que é afinal uma gastronomia de produto, pois somos um país com uma enorme variedade e qualidade de produtos gastronómicos, com uma gastronomia baseada na simplicidade da confeção, mas admiravelmente complexa em sabor, em oposição a uma cozinha técnica, caraterística de outros países, onde uma reduzida variedade e a limitada disponibilidade de produtos levou ao apuramento e à diversificação de técnicas de confeção culinária. Não obstante, que podemos e devemos utilizar novas técnicas na apresentação e na confeção dos nossos produtos gastronómicos e, dessa forma, elevar a simplicidade da nossa gastronomia à sofisticação de qualquer restaurante de fine dining, sem com isso perder a sua essência e o seu caráter genuíno. 
Neste contexto, não é de descurar a enorme importância das associações do setor da gastronomia, as associações profissionais, as associações de produtores, as associações gastronómicas (Academias Gastronómicas, Confrarias, Irmandades, etc.) e, as autarquias locais, que assumem um papel fundamental na promoção e divulgação da gastronomia, nas suas mais diversas formas, pela proximidade e pela sua implementação efetiva na comunidade. 
Urge elevar os nossos produtos locais ao patamar de produtos, verdadeiramente, identitários e reconhecidos como tal pela comunidade, pois é no seio da comunidade que se encontram os mais comprometidos e dedicados embaixadores, capazes de promover com paixão os seus produtos e pratos e, só depois se deverá então pensar na sua internacionalização, isto é, se queremos ir para além da questão, meramente, económica e, passarmos do paradigma de “vender quantidade” para “vender qualidade” e, assim competir com produtos internacionais do mesmo segmento.
Falta, pois, uma maior aposta na valorização local e nacional e a implementação de uma estratégia de marketing que posicione os nossos produtos gastronómicos no seu devido lugar, o topo da gastronomia mundial.

Ricardo Fradique-Nunes

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