“Já fizeste o TPC de Português? Sim, fui ao ChatGTP. Não gosto disso, parece que não fazemos nada. Olha foi rápido, e respondeu ao que era pedido”.
Este foi o diálogo de duas alunas do 12 ano de escolaridade, que se passou mesmo à minha frente. Este diálogo leva-me de novo ao último artigo que escrevi aqui na Reconquista e a continuar a reflexão sobre o uso desta ferramenta, agora, ao nível do ensino. Na conversa entre as duas alunas, estão perfeitamente demarcadas duas posições diferentes sobre o uso desta ferramenta no ensino.
Parece evidente que a IA veio para ficar. A interseção da inteligência artificial na educação já é uma realidade que que faz parte do dia a dia de muitos estudantes de uma forma direta ou indireta, em diferentes ciclos de ensino. Importa assim, refletir sobre como é que deverá ser utilizada, e como a a integrar no processo de ensino-aprendizagem, procurando rentabilizar os seus aspetos positivos e minimizar/alertar/ensinar sobre os seus aspetos negativos.
É fundamental aceitar/estimular a sua utilização de forma a inovar e personalizar o processo educativo. Fechar os olhos a esta evidência é negar a realidade que nos entra pelos olhos dentro e não aproveitar um recurso pedagógico suplementar com grandes potencialidades e que, entre outros aspetos, pode ajudar os alunos a compreender conceitos complexos de forma mais ampla e eficaz.
O professor poderá, por exemplo, usá-la para preparar planos de aula e atividades pedagógicas, criar resumos ou materiais de apoio adaptados ao nível dos alunos, obter analogias para explicar conceitos, explorar novas metodologias pedagógicas ou fornecer recursos, explicações e exemplos adicionais relacionados ao currículo.
Por outro lado, a integração da IA na educação pode simplificar as tarefas administrativas, dando aos professores mais tempo para um envolvimento significativo com os alunos. Deverá ter o cuidado de implementar diretrizes claras de utilização ao nível dos trabalhos propostos, bem como, ensinar os alunos a fazer perguntas à ferramenta.
Deve ainda, ter sempre o cuidado de validar a informação antes de usar em sala de aula, evitar depender excessivamente do ChatGPT, em vez de produzir materiais originais e ensinar os alunos a usar a IA de forma crítica.
Quanto ao aluno, deve usá-la para tirar dúvidas sobre matérias, pedir explicações mais simples, criar resumos e esquemas de estudo, praticar escrita ou testar conhecimento pedindo perguntas de treino ou simulação de testes e avaliação.
Uma outra grande vantagem reside na possibilidade de uma aprendizagem interativa e personalizada entre o aluno e o ChatGPT : pode facilitar discussões interativas respondendo às perguntas em tempo real, fornecendo explicações, esclarecendo dúvidas de acordo com as suas necessidades especificas e individuais. Também pode facilitar a resolução colaborativa de problemas, fornecendo sugestões e feedback.
Cuidados que deve ter presente quando a usa: não usar para copiar trabalhos sem compreensão (plágio), verificar sempre a informação com outras fontes, desenvolvendo assim, pensamento crítico e não apenas o aceitar de respostas prontas.
Não sejamos ingénuos, como em tudo na vida, há riscos: desinformação e imprecisão, dependência excessiva da tecnologia, redução da interação face a face entre alunos e educadores, que são essenciais para o desenvolvimento de competências sociais.
Do meu ponto de vista, a IA chegou e veio para ficar, e devemos aceitá-la como parte do nosso ambiente de aprendizagem. Mas é importante relembrar que os professores são insubstituíveis. Os professores continuarão, por conseguinte, a estar na linha da frente da educação. O trabalho do educador é compreender as oportunidades que ficam em aberto para além da tecnologia que funciona como auxiliar do ensino.
Nota: O título desta crónica é da autoria do ChatGTP.